Caros leitores,
Apreciem a foto do Instituto de Cacau da Bahia, em Canavieiras. Total abandono; em pé restou somente a fachada, Art Déco. Que diz muito, conta muito, grita sua história e, na sua solidão de mentes vazias marca a alma dos medíocres com o ferro quente do inferno, do mesmo jeito que o gado é marcado. O ex-deputado Ewerton Almeida conta em primeira pessoa, “Eu assinei a lei, feita na assembleia legislativa, doando os bens do ICB para a universidade estadual de santa Cruz”, portanto o abandono do prédio não acontece por falta de dono; pior! Será a UESC dizer que é por falta de dinheiro, afinal, para captar dinheiro basta idéias e projetos, então o trem só faz enrolar. Dá para alguém minimamente instruído conceber uma universidade sem idéias? Eis a questão e há parâmetro: o Paço de São Cristóvão (museu Nacional) queimou. A universidade federal do Rio de Janeiro, curadora do museu, alegou –dá para acreditar!- falta de dinheiro… existem pessoas que acredita.
Quando não hão idéias o mundo se perverte, então pessoas pervertidas, em cargos “de mando”, obrigatoriamente, desesperadamente, escondem-se e tentam esconder a verdade; acontece isso não por sabedoria, mais pela covardia. Jamais, num duelo em campo aberto, a mentira vencerá a verdade. Vem comigo para um passeio nesse sub-mundo.
A proposta de reformulação da CEPLAC, apresentada na última reunião da câmara setorial do cacau, aquela em que pegava os bens da CEPLAC vendia tudo e gastava o dinheiro no bordel de minha comadre Chunda, lembram? Pois bem, até hoje não foi publicado no site da câmara! Ainda não foi tornado publico. De quem escondem? Para que escondem? Não é um documento interno do MAPA, a apresentação do trabalho foi feita fora do MAPA numa empresa privada, na sala de reuniões da GS1; simples assim. Pedi, várias vezes, à secretaria da câmara setorial, os documentos referentes à apresentação desse trabalho e me foi negado. Pedi, como líder do grupo de trabalho que analisará e fará correções na proposta, priorizando o cacauicultor nesse contexto e me foi negado. Pedi, a minuta da ata dessa reunião para ser analisada, e me foi negado. Será que também sumirá da ata!? A próxima reunião esta marcada para fevereiro de 2019, até lá tem de aparecer. Caros cacauicultores, não é pouca coisa, o que está em jogo é o respeito pelo cacauicultor, respeito pelas instituições, respeito pelas leis. Será –eu tenho certeza que sim- que a CEPLAC vê tudo, inclusive a câmara setorial como um joguete? Usado para somente dar ares de legalidade e aprovação aos seus ideais escravagistas e tiranos. Sua certeza de impunidade é tamanha que quando contrariada, dá-se ao luxo de simplesmente sumir com tudo, até, dizer que nunca fez; que quem viu e presenciou é doido. Não esqueçam uma coisa: os dois votos contrários a mudança de nome da câmara setorial, sumiram da ata; há precedente! Desta vez sumirá uma parte inteira da ata? Isso fará que eu, Chico, Mané e Zé, todos, presentes na estonteante sala de reuniões, sejamos enquadrados na categoria de meninos de recados comedores de pipoca; lindinho né. A CEPLAC acostumou-se a impor suas decisões ao cacauicultor, esquecendo o fato dela não ser um órgão político, é somente técnico.
É preciso que o cacauicultor resgate seu brio político, que assuma as rédeas e diga qual o caminho a seguir. O baque imposto pela introdução criminosa da vassoura-de-bruxa, deixou todos atônitos, assim, neste estágio, foi fácil transformar a CEPLAC de um órgão técnico em órgão político. Foi a fé cega dos cacauicultores nesse órgão técnico que os fez acreditar que a solução estava ali; cavamos nossas sepulturas com nossas próprias mãos.
Olhe a obra de um homem, sua vida. Basta isso e você enxergará a alma. É impossível uma árvore boa dar frutas ruins. Aprecie esse poema:
Correr atrás de boi grande
Pedir, a quem tem pra dar
Nunca, peça a quem nunca teve
Que, mesmo tendo, não quer dar
As ruínas do Instituto de Cacau da Bahia mostra a alma, materializa o pensamento das pessoas que são responsáveis por este imenso patrimônio. É a marca do ferro quente do inferno na alma; a marca no corpo aparece na forma de um comportamento atoleimado. As ruínas da CEPLAC só repetem esse padrão simples. Medíocres em cargos “de mando” não constroem, destroem. Tudo está diante dos olhos de qualquer pessoa, veja a foto no alto da página, então, como acreditar em pessoas assim. Não tem como.
Os fazendeiros querem uma nova cacauicultura, a indústria quer uma nova cacauicultura, o chocolate é o doce mais consumido no mundo, desejado pelos consumidores. Temos terras, terras boas para irrigação, conhecimento, infra estrutura, podemos plantar cacau em estufas; temos pessoas aptas à serem cacauicultores, sabemos fazer o Blend Bahia; onde está o erro? O erro está na política agrícola feita errada por pessoas erradas que infelizmente estão nos cargos “de mando”.
Um novo governo começará a partir do dia primeiro de janeiro de 2019. Os cacauicultores terão a oportunidade de dizer o que querem, o que pretendem. Podem finalmente ter uma CEPLAC reestruturada, técnica. Podem ter o fundo do cacau. O Instituto Pensar Cacau, junto com a Curadoria do Patrimônio do Cacauicultor, tem uma proposta pronta para a cacauicultura; pronta, aberta a conversação, pública, conhecida por todos (pela internet), e o mais importante de tudo: disposta a qualquer pergunta, qualquer debate, qualquer esmiuçamento, tudo feito em campo aberto, com a participação de qualquer um. É você cacauicultor que manda! Se há outro caminho? Claro que sim; é só comprar um banquinho, sentar em frente da ruína do Instituto de Cacau e ficar espiando a vida passar.
Cordiais saudações,
Coronel Xela.
