Caros leitores,
Quem vê gosta! Agrada ao espírito; acalma a alma; dá prazer sem esforço e sem precisar pensar; se pensamos nos conduzimos a devaneios gozosos; o belo é belo em si, por si, e em fato. Olhe o quadro de Johannes Vermeer “Moça com o Brinco de Pérola”… assunte… é impossível não ser belo! Eu poderia entrar nos detalhes da beleza desta obra, mas não é o contexto, o que vale é o tanto que ela exprime, sem esforço, seu encanto. Bem, e estando trabalhando a fantasia nos píncaros filosóficos, deixarei de lado, e descerei para a materialidade carnal e sentida no dia a dia; vou para o belo quotidiano e acredite, ele existe!
A graça é parte do belo; graça e espontaneidade. Veja como uma brasileira sai do banho de mar; olhe com olhos de poeta e note toda beleza inspiradora de como uma mulher vestida tão simploriamente inspira a música mais tocada no mundo, a “Garota de Ipanema”. Uma brasileira é capaz de combinar (quando podia usar; anos 1980) jóias com biquíni e ficar mais charmosa ainda; agradabilíssima à alma masculina… vale salientar que o inverso é verdadeiro. É a simplicidade do belo; coisa que não acontece quando, por exemplo, olhamos uma inglesa de biquíni. Inexplicavelmente a alma não acha beleza instantânea, algo acontece, e se não achamos imediatamente desengonçado, ficamos procurando predicados; as belezuras. E dificilmente se achará um jeito mais simples de materializar a arte de compreender o BELO.
Antonce, eu conversava com o comandante Marviu (um gentlemam na arte da conversação) sobre como a vida pode ser bela; sobre viver em beleza e todo o enorme esforço para tal fim! E em como estamos vivendo um tempo feio; com efeito, compreendi o porquê de o populacho usar a expressão “a gente vévi”. O comandante lembrou e citou de um só fôlego o que dizia o saudoso Olavo de Carvalho “O indivíduo que é privado, durante as etapas decisivas de sua formação, de certas experiências interiores que despertam nele a ânsia do belo, do bem e do verdadeiro, jamais pode compreender as conversações dos sábios, por mais que se adestre nas ciências, nas letras e na retórica.” E arrematou:
─ Meu nobre Xelinha vivemos numa cidade sem graça, cafona, desprovida de belezas feitas. Riqueza sem bom gosto é breguice. Veja o novo prédio do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia); do CREA que era pra ser uma referência para a cidade; mais feio que jegue empacado! Os diretores têm tudo e não tem o principal: a cultura da arte pela arte.
Pura verdade e repentinamente viajei pela cidade de cabo a rabo; veio à memória a ausência dos sinos nas igrejas, como pode? Pois é, Vitória da Conquista é também uma cidade sem sinos, entretanto, em tudo, e não vem ao caso agora saber, falta à graça e o belo.
Deparei-me com uma Universidade Estadual totalmente árida; prédios feios, pátios feios, praças sem nada, biblioteca paupérrima, teatro medonho e sem programação que valha a pena; no campo de experimento da faculdade de agronomia não tem um canteiro onde seja possível notar alguma, quando nada, delicadeza no cultivo quiçá alguma jardinagem. É caso perdido, ali qualquer um pode aprender tudo, menos as Belas Artes. Achando que talvez toda essa miséria espiritual decorresse do fato de ser pública, foi conferir as faculdades particulares e nenhuma surpresa! Nem uma só obra de arte, nenhum quadro nas paredes, nenhum prédio ao menos harmônico; tudo feio, quadradão, sem a menor lembrança do que deve ser um ambiente acadêmico; e nada propício a uma reflexão que leve ao conceito do que outrora era a mais cobiçada das formaturas, mais prestigiada que a de doutor, o Mestre em Artes o único que galgava a cadeira de lente em Teologia Moral. E então meu caríssimo leitor quer saber o que tem a ver teologia com o belo? Não fique surpreso, eu afirmo: tem tudo; afinal acreditando ou não, é fato que Deus não tem mãos. Com isso, por isso e, com efeito, Deus CRIA os artistas e lhes confia de criar algo à natureza produzindo obras de arte. Só!
A gente não quer só comida/A gente quer comida, diversão e arte… A banda Titãs embalava os bailinhos com seu Rock New Age, dançante, e se as recordações são boas imagine ter vivido! Também a música virou gritaria, e fico pensando em como uma criança pode desenvolver-se vivendo em uma cidade com pouquíssimas referências capazes de produzirem alegrias à alma. As belas formas arquitetônicas, as belas jóias, as belas poesias, as belas músicas, as belas praças, os belos modos, a bela oratória, as belas mulheres, a bela dança, as belas ruas, a bela retórica, os belos homens, a bela conversação, o belo vestir, as belas artes; tudo está faltando e sem essas referências a inteligência fica deslizando em um mundo meramente tátil e sensível, sem nexo com as abstrações. A civilização grega dava o nome de “apeirokalia” para a falta de experiência com as coisas mais belas.
Alex.

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“olha que coisa mais linda, mais cheia de graça” a vida é Bela !
“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça” a vida é Bela, mas só pelo olhar dos belos.