Caros leitores,
Coincidem com a publicação desta crônica, 28 de junho de 2026, de ser o dia de São Pedro e o aniversário de um primo querido e muito próximo na infância. Interessante notar era que ele entendia muito de coqueiros e de seu cultivo, reflexo da sua convivência no bem cuidado sítio de côco de sua família. E vi seu pai e seu avô partirem com a canoa a motor carregada de mudas de côco, produzidas pela CEPLAC, para plantar. Que tempo! A CEPLAC era referência em tudo! Era talvez 1974 e meus sonhos infantis projetavam batelões e mais batelões carregados de côco chegando ao porto. Outro caso interessante, e até porque nossos pais iam e levavam os “meninos véios” todos (quanta paciência!), foi quando visitamos o sítio de João Bitú (um visionário cacauicultor, muito a frente de seu tempo). Desembarcamos no píer flutuante (sim tinha píer!) e tudo parecia um sonho de filme americano; tratores fazendo pulverizações e transportando côcos; as cascas do côco eram moídas e viravam adubo; e o absurdo que minha infantil imaginação quase bugou, a criação de peixes num tanque, com ração dada duas vezes ao dia. Um técnico da CEPLAC explicou as vantagens da tilápia e seu futuro promissor; e bem… não posso garantir, mas, depois deste dia meu pai mandou fazer uma represa na sede da fazenda e botou tilápias que trouxe do laboratório da CEPLAC. Era impressionante a capacidade da CEPLAC em espalhar conhecimento e tecnologias; foi uma pena eu não ter conseguido guardar um livrinho, deste tempo, que ensinava a criação de tilápias. Ainda deste tempo (que boa recordação!), pegávamos o Jeep verde de meu pai, um primo mais velho dirigia e sempre aprontava, e passeando, parávamos para comprar côco verde (só vendia o cento) na estação de pesquisa da CEPLAC em Canavieiras; era o côco anão-mirim, pequeno, pouca polpa e muita água; Comentava-se que era um híbrido desenvolvido nesta estação. Daí eu implicava com os nomes já que tinha o anão-gigante; ora anão já não é pequeno, pra quê o mirim? E se é pequeno por que o gigante? Tenho a certidão de inteiro teor desta área, foi uma doação do município para o desenvolvimento da pesquisa com o coqueiro, comtemplando também sua industrialização. Interessantíssimo e necessário é sentir que na civilização do cacau, nem só de cacau vivíamos e sabíamos; éramos bombardeados por saberes diversos a todo o momento. Mas, esse lero todo tem um por que; já que esse centro avançado de pesquisa foi dizimado.
As razões que dizimaram a instituição CEPLAC é um assunto até hoje obscuro, pouco debatido, pouco comentado; devido principalmente à doutrinação e dominação ideológica em setores chaves como a antiga imprensa, a cultura e o academicismo. Este ideologicismo tão abrangente só foi possível devido à indução de uma instituição global com capilaridade capaz de mexer na panela, de qualquer um, para olhar o que estava sendo cozinhado. Muito cultos, conhecedores das baixezas humanas, com o elogio certo na ponta da língua, dão a vida para salvar um cachorro (e matar um humano), e rápidos em propor soluções idiotas para problemas simples; quem pensou na teologia da libertação e suas Comunidades Eclesiais de Base, acertou! A coisa é séria e a luta é no campo espiritual.
A “inocente” útil usada neste caso foi uma vereadora de Canavieiras, pobre espiritualmente e coitada materialmente. Era o tempo da guerra do sarampo e as CEBs estavam fortemente aparelhadas. Na CEPLAC, já sob tutela do governo federal, o diretor-geral, fraco e sem ação, sucumbiu ao corporativismo e fechou a instituição para com o diálogo com os cacauicultores; o negócio era impor as decisões. Pessoas como massa de manobra não faltava, assim, sob a liderança da vereadora a estação de pesquisa foi invadida e loteada; com a anuência da prefeitura e sem nenhuma reação da diretoria da CEPLAC numa estranha conta de como todos (falsamente) ganham. A diabólica vereadora ganha votos. Os invasores, lotes. A prefeitura ganhou o terreno para ampliar o cemitério. O prefeito ganhou o crédito da obra de ampliação do cemitério. E a CEPLAC o que ganhou se perdia um centro de pesquisa? É só lembrar-se dos mestres em soluções idiotas da teologia da libertação, simples: ganhou a diminuição das despesas com pesquisas inúteis, e assim sobrava mais dinheiro para distribuir em “pesquisas direcionadas” pelos funcionários; o academicismo agradeceu… sacou! E todos divertiram-se ouvindo Os Titãs cantarem “Marvin, a vida é pra valer… … e o seu destino eu sei de cor”.
A cultura do côco na Bahia não resistiu a este baque, o município que mais produz côcos fica no Ceará, a maior fazenda de côcos do Brasil está no Pará, e o centro de pesquisa é a Embrapa em Sergipe. A variedade anã-gigante, hoje, é considerada pouco produtiva; foi superada por outros híbridos. Mais uma vez, e em mais um caso, aconteceu o imponderável, a fruticultura do coco floresceu e desenvolveu-se, já a instituição CEPLAC abduziu! E não por culpa, ou vontade, ou concordância dos fazendeiros; abduziu sozinha empestiada de rancores e rancorosos que enfestam cada greta de sua estrutura, até hoje!
A virtuosidade do projeto CEPLAC deu frutos inimagináveis enquanto persistiu a tolerância, a convivência, a parceria, e principalmente o aconselhamento entre a sociedade formada por fazendeiros e o corpo técnico da CEPLAC; é importante e imprescindível restaurar este diálogo; os resultados na cacauicultura da porteira pra dentro estão gritando que novos tempos chegaram e precisamos de novas diretrizes; olha só, há poucos dias eu conversava com um cafeicultor sobre o impacto das linhas de transmissão de energia, no vôo dos drones! Quem ia imaginar esse problema há 25 anos? E a CEPLAC rancorosamente insiste em ficar onde estava no fatídico ano de 1989.
Coronel Xela.

Respostas de 3
É a obsessão pelo abismo.
Típico de um país que em modo contínuo destrói as suas mais valiosas instituições.
Ao mesmo tempo,vemos que a universidade federal do Espirito Santo ,liberou um professor para passear em Portugal para defender um pós doutorado cujo tema é “a obra de Machado de Assis e o “cristofacismo bolsonarista”…..que porra é essa mesmo?
A destruição planejada da Ceplac, tem raízes profundas e originárias na ideologia gramscista…destruir para mudar ..!! Eis a questão..
A CEPLAC como outras instituições federais ( IBC-café, IBF-fumo, SUDHEVEA-seringa e por fim, CEPLAC-cacau e diversificação de cultivos, além da EMBRAPA que se encontra convalescendo, como resultado de políticas públicas onde o AGRO não é prioridade, sobretudo nesses últimos 20 anos de governo de esquerda, com forte crescimento dos movimentos sociais pela posse da terra, era de se esperar o enfraquecimento do setor e consequente abandono das instituições a começar por suas estações de pesquisa, no caso particular da de Canavieiras, cujo objetivo era a criação de novas cultivares e produção de mudas ja não era mais viável tecnicamente, vez que a cidade cresceu e com ela o plantio de coqueiros em fundo de quintal, fato esse que punha em risco todo e qualquer trabalho de melhoramento genético por contaminação no processo de polinização, ainda que controlado parcialmente.