Leitores,
Quando nem tinha idade para entender o que a morte significava, vi meu avô desaparecer da minha vida. Sua imagem nítida já não a tenho, restando apenas detalhes, como sua mão grande e o polegar que se deslocava estranhamente. Possivelmente isso lhe conferia a habilidade para esculpir peças de madeira em miniaturas, tão ricas em detalhes quanto as que fazia em filigranas de ouro para as coroas das santas, presentes até hoje nos oratórios da família.
Seu zelo e prazer pelo perfeito e o minucioso olhar de escultor eram também percebidos no seu ofício de labor, técnico em prótese dentária. Numa época em que tudo era feito manualmente, as próteses eram verdadeiras obras de arte.
Não tenho meu polegar estranhamente deslocado, nem as habilidades do meu avô, e o mercado já tem a impressora 3D de próteses dentárias. Também não segui sua carreira. Fiz-me outros desafios. Entretanto busco nesse legado o poder do autoconhecimento e a capacidade de potencializar outras áreas.
Em suma, a vida escorre por caminhos diversos, às vezes inimagináveis, e sem nos darmos conta já mudamos de endereço, de número de contrato, de crachá, de atividade e, por que não, de ofício.
A eliminação de postos de trabalho em função da crise econômica ou a substituição que neles ocorre, em busca de maior eficiência e produtividade, transferem para o empregado a responsabilidade pela criação de estratégias eficazes em inseri-lo ou mantê-lo no mercado de trabalho. Neste contexto, tornamo-nos empreendedores de nós mesmos, unificando à relevância de nosso intelecto e à trajetória profissional apresentada no currículo, nossas histórias de vida e nosso maior poder, o de decidir.
Acreditar na liberdade das nossas escolhas sempre pode, de um jeito ou de outro, apontar novos rumos. A habilidade de reinventar-se e a disposição, a competência, para fazer a diferença, podem distinguir um em tantos profissionais com currículos parecidos.
Um excelente final de semana a todos! Sucesso!
Fim.
Simone Costa.
