Caros leitores,
Bem, é com satisfação que entro no meu sexagenário ano de vida; e como a vida é bela! Notem: continuo estudando aprendi a fazer a letra capitular (quando trouxe para o Blog, a pistiada da letra capitular não veio; tenho de estudar mais!); também finalmente aprendi a fazer o travessão, agora vou poder escrever diálogos mais facilmente. Estou treinando intensivamente o domínio do WORD e ficando maravilhado; tudo isso por causa (e efeito) do meu projeto de escrever livros e publicá-los fisicamente. É mais um sonho que aos pouquinhos vai se materializando, é o meu viver a velhice. Não estou cansado, não tenho nostalgia, não quero rodar num carro velho; quero o presente intenso e, é justamente por não viver o presente que muitos sentem saudades da juventude quando, não é que viviam melhores, é que viviam o presente! Eu quero o meu tempo presente cheio de livros, fazendo palavras-cruzadas, escrevendo com caneta bico de pena, e usando essa magnífica ferramenta chamada internet; é legal!
Poucos dias atrás eu conversava com um novíssimo amigo virtual, o cidadão tem um museu de máquinas de calcular em casa; olha que coisa, com um canal no You Tube ele mostra as peças e conta a história de cada uma, até algumas que pertenceram a famosos financistas. Sou curioso e perguntei-lhe se não fica incomodado com as poucas (20 ou 30) visualizações.
─ Não. Agora meu objetivo é continuar trabalhando no que gosto. Produzir os vídeos ocupa meu tempo e minha mente; antes uma ou duas pessoas viam meu museu, depois do canal são trinta! E ainda faço amizades novas. ─ Respondeu o Youtubers.
Minh’alma me obrigou a uma profunda reflexão e concluí que trinta é muito. Ainda tendi a entender como bastante, mas ao exprimir as nuances, compreendi que trinta é demais. Que coisa! Cheguei à conclusão da materialidade da vida real na vida virtual; e uma avenida filosófica se abriu para mim. Ora (e quem ora melhora!) o motivo das produções humorísticas tradicionais terem acabado, foi à autenticidade circense do humor produzido por milhares de youtubers; o povo em sua simplicidade é criativo. Neste contexto só vi um artista conseguir migrar com sucesso da TV para a internet, foi o “Zé Lezim”; aliás, na TV ele era sem graça. Outro improvável é Ari Fontoura (o coronel da novela Tiêta), aos 93 anos faz sucesso com seu canal, onde, com alegria, vivacidade e autenticidade mostra conteúdos quotidianos/presentes; nada de queixumes, saudades doídas, etc… Mais reflexivo ainda é vêr e ouvir muitos de nossos ídolos da juventude desabarem quando confrontados a este novo mundo; tudo bem que desconfiávamos que os cabras não fossem assim tão heróis, mas eram os heróis que tínhamos e ademais usavam capas. Estes “heróis” fabricados até o pescoço, por falta de autenticidade, não resistiram e sucumbiram as tentações de viver de tempo passado; simplesmente suas vidas presentes são inadequadas para o espetáculo youtuberiano.
A internet é a seara onde podemos livremente escolher e sem julgamentos de ninguém, na solidão, o que queremos lêr ou vêr; é uma escolha fácil onde usamos somente o instinto, o querer, e a moralidade. Tem tudo seja para o bem ou para o mal. E tem muitas pessoas fazendo o que podem fazer de melhor: desde o humorista nato, ao feio que de tão feio gera humor, ao caminhoneiro que nos leva a passear, ao colecionador de livros que nada mais quer do que falar de seus livros; tem também os velhos milionários (estes eu adoro) que contam tudo da juventude! Das memoráveis festas, das namoradas, das bebedeiras, das arruaças, dos bailes no Copacabana Palace. E veja só que sutileza tem os vilões; são os surfistas. Vilões (por serem mal falados) do passado, pois enquanto Ronaldo e Vampeta (futebol) estão uma tragédia, os octogenários surfistas estão com o corpo e a mente ótimos, participando de excelentes Podcasts e mostrando os bônus do bem viver. Achei outro canal interessantíssimo e entrei em contato com o cidadão; ele lê livros, capítulo por capítulo, em voz alta; sobretudo os clássicos da literatura infanto-juvenil.
─ Leio para enfermos; leio para doentes; leio para analfabetos; conto histórias para crianças já que os pais não querem contar. Estou ativo e este é o meu trabalho, e cumpro horário. Financeiramente ganho um quase nada, mas os e-mails de agradecimento que recebo são meu pagamento em ouro. ─ Respondeu o quase octogenário Youtuber.
Imagine o poder de poder proporcionar entretenimento com as fantásticas abstrações só possíveis através de um bom livro, a uma pessoa incapacitada de lêr. Imagine o poder de poder divertir a quem não pode se divertir. Imagine o poder de conversar com quem não tem ninguém para conversar. Imagine o poder de poder dar palavras aos sonhos de quem até em sonhos já sonha pouco. Imagine o poder de dar histórias para serem contadas, a alguém que não mais cria suas histórias. Imagine o poder de poder materializar uma vida real em outrem usando a abstração de um mundo virtual; e se sentir útil e vivaz só exercendo uma velha profissão: a caridade; num novo mundo, o mundo virtual. Tudo é fantasia? Tudo é I.A.? Tudo é falsidade? Claro que não! Valores como autenticidade, caridade, verdade, moralidade, nunca deixarão de existir e somos nós, os humanos, que escolheremos a melhor forma de fazer acontecer. O mundo virtual ou qualquer outro mundo, sempre é o meio e nunca o fim.

Respostas de 5
Parabéns,Grande Coronel,Alex Terra!!!
Só precisamos focar no conteúdo que nos interessa e tenha a ver com o que estamos querendo ganhar conhecimento. Caso contrário à internet vira um mar de informações que pode nos deixar perdidos e sem foco.
Parabéns Xela! Você é o cara !! O último coronel!!
A velhice é a marca da experiência o passado nos projeta para o futuro porque sem o passado não havia o futuro o passado é transformação do nosso futuro para uma vida melhor ou pior dependendo das nossas escolhas por exemplo hoje um dos maiores problemas do mundo é questão ambiental ou melhora ou vamos morrer todos por causa dos problemas causados pelo desmatamento etc.
Excelente Xela!!! Adorei!!
Também acho que a minha melhor versão é sempre a atual! Nao tenho saudades de nenhuma outra versão e sei que a que está por vir será sempre melhor, graças aos conhecimentos que irei adquirir e as experiências que ainda viverei.
Quanto a Internet realmente a índole e o caráter direcionarão as escolhas de cada um, como tudo na vida!