Caros leitores,
Neste domingo de carnaval de 2026, vendo as festividades pelo You Tube, Instagram, Facebook, terminei por notar o quanto tudo mudou; há cinquenta anos eu teria de comprar o Jornal A Tarde e esperar passar na TV o Jornal do meio-dia para saber um tiquinho sobre a folia momesca. É interessante, pois muito mudou e pouco percebemos, fomos nos acostumando… e do nada acordamos em um novo mundo. Olha só, mês passado notei que alguém estava bulindo no hidrômetro daqui de casa; procurei saber do que se tratava, não tinha vazamento e a conta estava quitada, ué!! Muito bem treinado o rapaz me explicou que trocaria o hidrômetro por outro com chip, para a empresa fazer “leitura remota”. Lembrei que o contador de energia também já foi trocado por outro com chip, daí me dei conta de que o leiturista suverteu, abduziu, virou bufa do cão, e nem eu nem ninguém se deu conta disso! Dando ênfase ao tamanho da perda não notada, há vinte e cinco anos eu conhecia o leiturista pelo nome; como moro numa chácara que nesse tempo ficava na periferia da cidade, ele chegava de moto, com um porrete para bater em algum cachorro que tentasse algo, e uma bomba com Detefon para matar maribondo; chegava fazendo barulho para chamar a atenção. Acabou o trabalho, a profissão, o contexto, o modo de vida, a aventura que o trabalho proporcionava; tudo! Foi um estilo de vida que não mais existe e, velho, nem me dei conta!
É como comer mingau quente come-se devagarinho pelas beiradas, assim também acontece, pelas beiradas, com o limatão do conhecimento e, para falar a verdade vejo com muito otimismo este movimento. Em pouquíssimo tempo vejo as casas totalmente automatizadas, as hoje tão cobiçadas faxineiras desaparecerão sem deixar saudades; agora, o que precisará ser adaptado serão as casas e seu mobiliário, incluindo sua arquitetura. Isso me desespera, pois muito pouco se fala deste assunto apesar das empresas de tecnologia ter, se não todos, muitos produtos para automação residencial; tenho fé de que minha próxima casa será como a da família Jetson1 . Sabe de onde eu tiro essa certeza: do antes atrasado campo. Velhos, o campo está dando show, basta pegar um tiquinho de tecnologia nas fazendas para ter na cidade um jardim de cair o queixo e sem jardineiro! O cortador de grama faz tudo sozinho, mesmo se virar, desvira que nem um joão bôbo; quanto as ervas daninhas que infestam os gramados, um robozinho queima com laser, seletivamente, sem nada atingir a grama, com muita rapidez. Então onde está o travamento para que tais tecnologias deslanchem?
Como estamos na época das chuvas e como hoje minha chácara ficou envolta por grandes condomínios, que foram chegando, devagar, um a um; quando percebi já não podia mais atravessar a rua sem olhar para os lados; e nem deixar de notar o modo como os imensos gramados são cuidados. É de dar azia em jegue ver cinco peões com enxadinhas catando as ervas, dias, semanas, neste trabalho improdutivo! Eis o problema! O atraso tecnológico está no cabeção dos cosmopolitas civitas. Os síndicos cabeçudos em essência e natureza, simplesmente, deitados em berço esplêndido, não dão a ordem para a mudança; do jeito que está, está bom; tudo fica numa inércia propositalmente induzida. A cena chega a ser feia, fico assistindo os peões agachados arrancando invasoras, como se eu tivesse vendo um filme antigo… ademais, quando tudo aquilo eram roças de café (olha o campo aí), a colheita era mecanizada e a capina também. Acredite vassoura-de-bruxa dá na cabeça de gente; jamais duvide disso. Ahhh sim, claro, está bom, eu preciso ilustrar como que se pega vassoura-de-bruxa no juízo! Legal.
É incurável, dá medo, porém facilmente diagnosticada. Olha bem; se não vê, repara; reparando, espia; se espiando não faz mira, fudeu sua alma morreu! Temos sorte de viver num tempo em que ninguém pode alegar que não sabe, pois todo conhecimento acumulado está disponível e ilustrado; antonce não notar a inutilidade de “limpadores de gramado” ratifica a ausência do espírito; total. Depois aparecem os iguais a deslumbrante Luana Piovani, que neste carnaval, fingiu não conhecer Virgínia; aliás, nunca ouviu falar. Então com isso e como a vida fingida nunca é boa, nunca é prazerosa, nunca é verdadeira o que resta é o sorriso amarelo sempre que está numa saia justa; e só. Vou terminar com a patota dos “maria vai com as outras”, que veem, sabem, tem percepção (não compreendem), admitem que na Flórida (EUA) é diferente, mas que no Brasil sempre foi assim; e fazendo coraçãozinho com as mãos expressam suas incapacidades; qualquer relaxante dá uma ótima noite de sono. Daí juntando estas personalidades com mais alguns pouquinho piores ou melhorzinhos, vai produzir que diabo se não só prosa ruim? Onde achar a ordem para mudar a ordem? Vassoura-de-bruxa no juízo é a expressão gaiata para a indolência.
Falando em indolência ouvi a história de uma professora que batia a unha na cabeça dos alunos e perguntava: você quer ficar indolente, menina? Quanto a mim, fujo da indolência como o diabo foge da cruz, sobretudo prestando muita atenção à vida. Veja só que engraçado será para que aconteça de meu sonho da casa digital e automatizada se realize: ou eu vou morar em outro país; ou vou morar na civilizada e tecnológica roça; ou faço um condomínio onde num teatro real tenha peças excelentes, e nunca o espetáculo bufa de peões agachados limpando gramados.
Alex Terra.
1- Os Jetsons é um desenho animado criado em 1962, muito popular na TV. Era ambientado no ano de 2062. Bem futurista!

Respostas de 2
Lembrei da “roda de fiar”…… já pensou como era modernoso pegar o algodão,transformar em rolo e depois costurar?
Pois é,hoje a roupa já vem pronta,modelo e forma padronizada e todo mundo se veste igual…. até nos rasgos pois é culto ter calça rasgada,e muito cara . A moda é cara,apesar de ser de qualidade cada vez pior .
Veja a dificuldade de achar um alfaiate ….isso,um “alfaiate”…..êta profissão retada, alfaiate de verdade tem classe ,trejeitos de quem sabe o que diz e faz e sabe a diferença de roupa para homens e mulheres.
Outro dia consegui localizar um das antigas,costura direito e sob a supervisão e com os devidos experimentos…..e no final uma obra de arte,sob medida e nos conformes e melhor aínda,sem mimimi e modernismos.
Cara retado.
Perguntei a ele se tem futuro….ele respondeu,”sou filho de alfaiate,sou alfaiate de mas ninguém vai levar adiante a profissão….. está vencida”.
Abri uma latinha para mim e outra para ele e fomos falar de “Tex Wilker”…..
Parabéns. Li duas vezes. gostei na primeira na segunda ampliou minha compreensao. rsrs Vassoura de bruxa na mente = INDOLENCIA;