Caros leitores,
Um sonho que eu tenho é de ter uma biblioteca; bonitinha, arrumada e fácil de encontrar um livro. A que tenho é um amontoado de livros numa velha prateleira que um dia serviu, na sala, para botar a televisão… mas, tem uma particularidade! Todos os livros que alí estão foram lidos de cabo a rabo, incluindo as orelhas, e acredite quem quiser sou capaz de lembrar trechos e abrir exatamente na página. Outro sonho seria de poder reunir todos os livros que lí desde que aprendi a lêr; desde os gibis do Gato Félix até… há pouco tempo reli “Uma Rua Como Aquela” livro que marcou a minha adolescência. Sim, eu estreei na vida adulta lendo “Viva o Povo Brasileiro”. Para trás eu tinha lido e relido era pra prova! Machado de Assis, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Clarice Lispectro, José de Alencar, e et al… que todo mundo que estudou em bom colégio foi obrigado (graças a Deus!) à ler.
Certa vez, no início dos anos 1980, lendo algo sobre José Mindlim (fundador da Metal Leve) acho que na revista Veja, o repórter dizia que ele escrevia bem porque lia muito; acreditei. Anos depois lendo Santo Anselmo com seu estilo de escrever exacerbado e avassalador, novamente achei a máxima de que para escrever bem tem de ler muito. Mais ainda, e que aula, Santo Anselmo ensina que não só basta ter um repertório diverso, isso qualquer um pode ter, e com a IA mais fácil está, mas, que é fundamental levar ao pé da letra a reta filosofia; adorei. Daí chegou o tempo de ler os clássicos; e hoje afirmo que não adianta tentar ler na juventude, falta paciência e vivência; deleitei. Enfim cheguei onde 99,9% das pessoas começam, para mim foram os últimos, os clássicos russos. Como eu já conhecia toda a obra de Jorge Amado, me espantou principalmente quando li Maksim Górki e seu livro Infância, rapaz, toda a carcaça da construção dos personagens e paisagens imaginárias de Jorge Amado lá está! Amado é um bom contista quando conta com personagens reais (quando nada real no sentido de próximo), entretanto quando ele tenta criar um personagem, sempre estrutura a figura no realismo russo. É fato, de fato, com fato e fatores mil eu não gosto da tão afamada literatura russa; dizem ser Realismo eu chamo de sentimentalismo real, só. Falta o principal que é o cerne da boa literatura, a plena fantasia; a imaginação fantástica que faz as pessoas duvidarem em se a vida imita a arte, ou a arte dita à vida. Pensa aí em como viver sem essa dúvida? É um viver pobre! É ter de copiar as experiências vividas alheias e contentar-se em padecer um materialismo infundado… ou!
Participando de um grupo virtual, deparei com algo que eu nunca ouvira falar o “Mine Conto”; não gostei. Mine conto pode ser tudo até o que quiser, só não é arte. Fiz um poeminha:
Exercício para o corpo é correr
Exercício para a mente é pensar
Exercício para a mão é escrever
Exercício para a alma é descansar (o corpo).
Menos que isso fica impossível! Mas, os arautos do mine conto pregam que o leitor precisa imaginar um subtexto… Ué! O subtexto é a parte mais difícil da arte de escrever, é a métrica! Que suplanta o pensamento e a escrita linear; a métrica é a ligação, contextualizada, das frases isoladas e quanto mais bem feita mais fácil é o entendimento do texto. Dos graúdos para os miúdos, o que o mine conto pretende é tirar a responsabilidade do autor de criar arte. Daí me deparo na internet com intermináveis discussões sobre o que Anton Tchekhov quis com seu mine conto: “Um homem, em Monte Carlo, vai ao cassino, ganha um milhão, volta pra casa, se suicida.” Pôôô velhinho… . Mais ainda, há desafios de quem seria capaz de preencher com subtextos tão complicado desafio. Bem, não há solução fácil, pois, ou eu estou vivendo no mundo da lua ou (quase) todos estão, de fato, vivendo em outro mundo; e que mundo forçado. Levei uma manhã para achar em minha desarrumada biblioteca o que procurava, mas achei! “O Falecido Mattia Pascal” de Luigi Pirandello, uma obra prima de viva fantasia e fantasia viva (tem o filme com Marcello Mastroianni), um primor de delicadeza na escrita, e métrica divertida; uma aula de criativa arte! Que (acreditem!) versa sobre “um homem, em Monte Carlo, vai ao casino, ganha um milhão, volta para casa, se suicida.” Acreditaram? Pôôô que mundo é esse que quase todos leem e acreditam no comum Tcheknov, e desconhecem o genial Pirandello? Assassinaram a fantasia.
O diabo é o diabo, entonce assunta só o diabo: Pirandello e Tchekov são contemporâneos, tendo o livro de Pirandello sido publicado no mesmo ano da morte de Tchekov. Tchekov nunca publicou seu (suposto) mine conto; foi um achado pós-morte. Muito bem, e é incontestável que há lidos que mudam a vida de uma pessoa, com efeito, não teria ele lido O Falecido Mattia Pascal e, tendo gostado muito, anotou a “carcaça” (o tal mine conto!) do livro; até talvez por admiração de como um tema complexo se tornou na pena de Pirandello puríssima arte; tanta a ponto de botar mais uma palavra no dicionário, o pirandelismo.
Tenho prazer em ler, é até meu brinquedo; brinco com palavras e elas brincam comigo de paga-pega. Li quase todos os clássicos russos, não troco de jeito nenhum pelos clássicos latinos, afinal a fantasia liberta. O materialismo prende e fecha a mente, quem lê (e crê) Tchekhov não cria (nem acha) no pirandelismo.
Alex Terra.

Respostas de 2
A Biblioteca do sr Mindlim metal leve era espetacular, ele tinha doado ainda em vida ao governo….sem pensar q a politicagem suja viesse a reinar… quem sabe vc se inspirar e organizar a sua para.servir a futuro aos sedentos de conhto e aventuras contidas …Sempre li o q conseguia comprar , mante-los em ótimo estado para na futuro servir a outrem… meus olhos já não são os mesmos o q lamento mas as aventuras dos livros de Karl May são inesquecíveis ; ruim.q não mais editaram no Br o livro Winetoo cacique apache… .. li na mocidade Krisnamuti indiano filósofo e até havia uma sociedade no Rio de seus admiradores …Tb sumiu e a destreza c as palavras do grandioso Castro Alves toca um.misto de admiração e inveja e me deixa menor perante suas excepcionais narrativas poéticas de saber e construção…
Quantas saudades ; você me recordou Gato Felix, adoro, saudades até do Bolinha, da Luluzinha, do pato Donald, apesar de que hoje temos o “Donald Tramp” pra nos distrair rsrsrs…que infância gostosa, troca de gibis no cine Marabá, no Catalunia, no cine Itabuna… Mandrake, Fantasma…Do Jorge Amado assimilo muito com hoje o livro “São Jorge dos Ilhéus”